
O ano se encaminha para o final, mas o que não parece ter encerramento visível é o endividamento dos brasileiros. Pelo contrário, o que os dados mostram é um aumento expressivo em 2026. Em setembro, o Brasil, que possuí mais de 214 milhões de habitantes, atingiu a marca de 84,2 milhões de pessoas com contas em atraso, de acordo com o Mapa de Inadimplência e Negociações de Dívidas do Serasa.
Esse é o maior dado já registrado na série histórica e mostra ainda um aumento de 6% com relação aos inadimplentes em setembro de 2025 e atinge 34,17% na comparação com 2020. A Bahia, por sua vez, ostenta a 4ª população mais inadimplente do país, com 5.265.506 pessoas, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
“Eu coloco tudo isso na conta da falta de educação financeira, que as pessoas não têm”, avalia o economista e presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon), Edval Landulfo, sobre a atual situação de inadimplência e endividamento.
Somando todos os valores devidos em setembro, segundo o Serasa, a população baiana tem uma dívida de R$ 6,22 bilhões. Nacionalmente, o volume salta para R$ 597,4 bilhões. A nível de comparação, a dívida dos brasileiros é maior que o Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia em 2025, que foi de R$ 536,7 bilhões segundo dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
Quem são os “culpados”
Segundo o economista Edval Landulfo, a culpa pelo endividamento se divide entre gastos com cartão de crédito, dívidas com instituições financeiras e contas básicas como água e luz. Porém, as motivações para esse atraso ou não pagamento são mais abrangentes. “O primeiro fator são os juros elevados e o crédito caro. Então, se você não paga o saldo devedor do cartão de crédito, isso vai crescer rapidamente e transformar esses pequenos atrasos em uma bola de neve incontrolável”, explica. Ele lembra ainda de outras pressões sobre o custo de vida, como a alimentação, transporte e moradia.
Os dados do Serasa apontam que as dívidas com bancos e cartões de crédito concentram 27,16% do total. Em setembro, pela primeira vez, as financeiras assumiram a segunda posição no ranking, passando de 20,14% para 20,66% de participação; já as contas básicas representaram 20,32% das dívidas no período.
Apesar da assinatura da Medida Provisória que proibiu e derrubou as plataformas de apostas on-line, conhecidas como “bets”, o levantamento ainda considera os impactos dos vícios em apostas no orçamento das famílias; um problema que, segundo o presidente do Corecon, “drenou parcelas significativas da renda das famílias de menor poder aquisitivo”.
Fim de ano
Paulinho da Viola estava certo quando disse em “Pecado Capital” que “dinheiro na mão é vendaval” e é nesta época do ano em que muitos brasileiros acabam caindo nessa história devido aos pagamentos do 13º salário e outras bonificações. Apesar desse “extra”, o brasileiro precisa ter bastante cautela para que a “solução” não vire “solidão”:
“Esse final de ano é devastador para as contas. O recebimento do 13º salário traz um alívio momentâneo, mas cria uma falsa sensação de folga financeira”, alerta Edval.
Ao somar o cenário de um dinheiro a mais com as promoções de final de ano e a proximidade da Black Friday, que acontece em 27 de novembro, o especialista aponta que há uma “pressão” pelo consumo que acaba sendo um problema para aqueles que já estão endividados, visto que há uma preocupação maior em comprar os “presentes” e itens da ceia natalina, ao invés do pagamento de compromissos já adquiridos.
Segundo o especialista, a melhor forma de se evitar problemas financeiros é evitar gastar todo o 13º salário com novas dívidas ou compras: “Eu diria uma regra de 50% para o 13º. Então é destinar pelo menos metade dessa renda extra para abater dívidas caras, cartão de crédito, empréstimo ou reservar para contas de janeiro, utilizando o restante para os festejos. Isso aí seria ideal para quem tá endividado”.
Além disso, outras estratégias como “delimitar um teto de gastos para presentes” e “dividir a compra dos itens da ceia entre os familiares para reduzir o custo individual” são alternativas para que as festas não saiam com um gosto salgado e um peso a mais no bolso do brasileiro.
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