
Aos 17 anos, a estudante cearense Rute Conceição Silva Rodrigues, da rede pública de ensino, conquistou aprovação em quatro universidades internacionais e poderá escolher onde deseja cursar Psicologia. Entre as instituições estão Harvard e a Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos; a Universidade de Cambridge, na Inglaterra; e a Universidade de Nova York (NYU), em sua unidade nos Emirados Árabes Unidos.
Moradora do bairro Pirambu, em Fortaleza, Rute é aluna da Escola de Ensino Médio Dr. César Cals, localizada no bairro Farias Brito. Com 52 anos de história, a instituição é reconhecida pelos resultados de seus estudantes no acesso ao ensino superior. Em 2026, a escola comemorou mais de 250 aprovações.
Interesse por universidades internacionais começou no ensino fundamental
O interesse de Rute por universidades internacionais surgiu quando ela ainda cursava o 9º ano do Ensino Fundamental. Ao acompanhar nas redes sociais as experiências de estudantes no exterior, a adolescente começou a pesquisar por conta própria os caminhos para conquistar uma vaga fora do Brasil.
Além das atividades escolares, ela se dedicou ao aprendizado da língua inglesa e frequentou, durante dois anos, o Centro Cearense de Idiomas (CCI). Também investiu em cursos preparatórios com recursos do programa Pé-de-Meia.
“Eu sempre gostei bastante de estudar. Acho que é muito importante gostar de estudar para encarar o processo. E o Pé-de-Meia também foi super importante para custear alguns cursos”, relatou a estudante ao Diário do Nordeste.
Estudante se inscreveu em 20 universidades internacionais
O processo seletivo começou em 2025, quando Rute se inscreveu em 20 universidades de diferentes países. Até o momento, recebeu quatro aprovações e ainda aguarda o resultado das outras 16 instituições.
Durante as seleções, a adolescente precisou produzir pelo menos três redações para cada candidatura, totalizando cerca de 60 textos. Ela também realizou o SAT, exame utilizado em processos de admissão de universidades americanas, além de participar de entrevistas com recrutadores.
Segundo o relato publicado pelo Diário do Nordeste, os custos com as taxas de inscrição chegaram a aproximadamente US$ 800, valor pago com economias do programa Pé-de-Meia.
Um dos diferenciais da candidatura foi a participação em uma pesquisa científica desenvolvida durante o Ensino Médio. Em equipe, Rute analisou o discurso de criadores de conteúdo voltados ao universo escolar.
“A minha escola já fornece, no segundo ano, um projeto em que a gente começa a trabalhar a iniciação científica. A gente criou um projeto científico do zero. Foi crucial para ser o meu melhor extracurricular”, afirmou.
O trabalho foi apresentado em feiras científicas realizadas em Fortaleza e no Paraguai. A pesquisa também tem previsão de participação em outra exposição, em Recife, no mês de novembro.
Família e escola foram fundamentais na trajetória
Rute conta que sempre recebeu incentivo da família, especialmente das tias, que considera grandes inspirações. Ela mora com a mãe, que trabalha com serviços gerais e não foi alfabetizada, e com o irmão mais novo.
“Porque eu tinha sonhos diferentes, sonhava muito alto. E eles estão muito felizes também”, contou sobre a reação dos familiares.
A estudante também destacou o apoio recebido na escola durante a preparação e as inscrições nas universidades internacionais.
“A gente tem total apoio, não só para o Enem, mas para a carreira que a gente queira seguir”, relatou.
Apesar das aprovações no exterior, Rute ainda pretende fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e tentar uma vaga no curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). A decisão sobre onde cursará o ensino superior será tomada posteriormente.
Fonte: Diário do Nordeste.



